Monday, May 19, 2008

dia 19 - segunda sessão de quimio

Hoje de manhã o pai estava com os resquícios de alguns enjoos (a coisa que ele mais detestaria em toda esta história seria o enjoo pois diz que já enjoou vezes suficientes na vida). Assim, mal apareceu o médico contou-lhe o caso e o Dr. foi anuindo com grande compreensão. Nisto chega o pequeno-almoço e o Almirante, muito depressa diz, “eu não vou comer, o médico deixou”. Tentou escapulir-se mas lá teve que comer qualquer coisita!

Foi muito bem tratado. Levantou-se de manhã e o enfermeiro apanhou-o de pé e resolveu ajudá-lo a arranjar-se. O Tiago teve folga de toilette hoje! Quando chegou estava o pai Almirante com um belo pijama azul do Hospital ( a coisa foi tão rápida que nem deu tempo para se ir buscar um dos maravilhosos exemplares que tinham vindo de casa!).

Quando cheguei, pelas 12, estava ainda a Joana, que não quis abandonar o sogro sem ver com os seus olhinhos a quimioterapia feita. Ela tinha ouvido falar dum líquido azul e não quis perder o espectáculo. Ficaria o sogro cor-de-rosa? Roxo? Lilás?

Nesta espera comenta-se que para o Té ter todas as meninas da sua descendência à volta só faltavam a Débora e a Leonor. E quem entra logo pela “porta a dentro” ? a Débora. Foi um timing excelente!

Enquanto a enfermeira lhe espetava coisas várias pelo cateter abaixo o pai diz, muito sério “estou a sentir uma convulsão aqui dentro”. Antes que a enfermeira pudesse reagir, diz “é o cancro aflitíssimo que já está  aos saltos!”. O que vale é que impera a boa disposição.

Continua a querer à viva força mudar de ramo(sair da Marinha para algo que não meta água à mistura), e nem o soro o livrou de ter que beber uns quantos copos de água (eu acho que ele está a beber toneladas), sempre sob a vigilância atenta da Joana, que não brinca em serviço.

houve uma sesta matinal e outras durante o dia. Eu abandonei o barco cedo por isso só posso relatar por empréstimo. As visitas foram mais comedidas e o casal até conseguiu ter algum tempo para si.

O Dr. Norton Brandão passou quase a chamar-se “tio Norton” mas depois do susto que apanhou ontem com a Débora (diz que se sentiu 10 anos mais velho quando a Débora ao telefone o tratou por tio!), optámos por chamá-lo “primo Norton”.

AH! A psicóloga lá estava também de mão dada com o Almirante. É que ele é tão querido que ninguém quer perder uma oportunidade. Durante a quimio, a mãe Carmo dizia, com sinceridade “ eu estou aqui a agarrar na mão do Almirante, mas se alguém quiser eu posso ceder o lugar!” . O que vale é que o Almirante tem duas mãos, senão era capaz de haver cenas de faca e alguidar.

sofia

 

2 comments:

Anonymous said...

Ri com prazer ao ler este relato! Vi tanto "Tio Té" e tanto "Almirantado" à mistura... CarMãezinha - eu até gostava de ficar com uma mãozinha só só só para mim... se pudesse ser...

Anonymous said...

Começo a padecer de ciumeira.Há três dias que não cá vem abanar as
pernocas. Eu tenho duas mãos todas para si.


Cristo Rei